Andrea Zanzotto

Enraizamento na geografia

 

O dado mais significativo da vida de Andrea Zanzotto (1921-2011) é a ligação à própria cidade de origem, Pieve di Soligo ao pé dos pré-Alpes trevisanos, do qual o poeta nunca se separou, senão por um breve período de trabalho na Suíça, perto de Lausanne. Formou-se em Pádua em 1942, e foi justamente na sua região, o assim chamado “Quartier del Piave”, que Zanzotto, defensor convicto da não-violência e sem pegar em armas, participou da Resistenza, ocupando-se da propaganda clandestina.

A experiência da guerra, das repressões nazifascistas e da morte de muitos companheiros partigiani constituem um trauma que retorna em sua obra até a maturidade mais tardia. Zanzotto tampouco pôde partilhar do espírito de eufórica hiperatividade do imediato pós-guerra e da confiança no empenho e na reconstrução humana, traços do clima neorrealista. Para ele, os horrores do nazifascismo haviam rebaixado muito o limiar do que é humano. Tratava-se de um empobrecimento estável. Daí o terror da História – grande antagonista da sua poesia – em seu enraizamento na geografia, que é, sim, geografia dos lugares, posteriormente profundamente corroídos pelos ácido de uma industrialização forçada, mas também geografia da mente; como se o mapa da psique de cada um, afetada pelos “progresso” científico-tecnológico, ficasse ameaçada em suas coordenadas sensíveis.

Tanto a mente – ou seja, a memória – do lugar, quanto o lugar da mente, o seu traçado psíquico, devem ser defendidos. Zanzotto não faz outra coisa, e estes dois aspectos estão copresentes em sua poesia, uma poesia que poderia se dizer ecológica ante litteram, sempre pronta para a auscultação das mensagens provenientes da paisagem natural. Mensagens que em um de seus livros mais conhecidos Il Galateo in bosco de 1978, fundem-se à voz dos soldados sepultados nos ossários do Montello, na linha do rio Piave, que foi teatro dos massacres sanguinosos da Primeira Guerra Mundial.

Texto introdutório por: Stefano Dal BiancoMaio/2026

Veja abaixo o mapa geopoético de Andre Zanzotto:

(mapa em construção)

Depois de percorrer o mapa, onde se entrelaçam os lugares de Zanzotto e a experiência da guerra, a linha do tempo a seguir organiza as suas publicações, em ordem cronológica. No Dicionário Bibliográfico da Literatura Italiana no Brasil é possível encontrar também os livros traduzidos.

*Stefano Dal Bianco é poeta e crítico literário italiano e professor da Università di Siena.